sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Seis anos e a loucura continua

Quando Kayke partiu fiquei algum tempo sem conseguir escrever, só voltei a ativa depois de escrever a matéria que estou publicando abaixo. Dia 18 de junho deste ano meu filhotinho completou 06 anos de renascimento na espiritualidade e durante esse tempo eu e minha família oramos muito para que a guerra no asfalto diminuísse, isso não aconteceu.
Diariamente vejo acidentes e, pelo menos uma vez no mês, revejo a morte do meu filho na morte de muitos jovens que perdem a vida em atropelamentos, batidas de carros e batidas de moto.
relendo o material que escrevi percebo que esta tão atualizado como no ano em que escrevi (2005).
A matéria foi publicada na Folha do Amapá:

Trânsito de Macapá se transformou em guerra no asfalto


Hildo Duarte, Oséias Reis, José Araújo, Andréia Oliveira. Esses são alguns personagens que foram vítimas de uma guerra injusta que se travou nas ruas de Macapá e só o ser humano perde, cujo vilão é o trânsito. Os números assustam. No período de setembro de 2004 a junho de 2006 foram registrados 2.595 acidentes pela Unidade de Trânsito Comunitário do 6º BSC, uma média de três por dia.

Acidentes como o que tiraram a vida do estudante Marco Kayke de Assunção Macedo, da dona-de-casa Fabiani de Jesus e do trabalhador autônomo Benedito Gama, vítimas de motoristas embriagados que utilizam seus carros como uma arma para matar, guiando a mais de 100km/h.
Tanto no caso de Marco Kayke como do casal Fabiani e Benedito, os lugares onde foram mortos são apontados como pontos críticos da cidade, onde a sinalização é inexistente e acidentes são comuns.

A Secretaria de Transportes do Governo do Estado é a responsável pela conservação e sinalização das rodovias Duque de Caxias e Juscelino Kubitschek. Durante 60 dias a reportagem tentou, através de telefonemas, ofícios e visitas ao prédio da secretaria conversar com o secretário e saber por que a Rodovia Duque de Caxias, mesmo sendo apontada como um dos pontos críticos em números de acidentes, tem uma sinalização precária e o policiamento é ausente. Mesmo recebendo a promessa do assessor de comunicação, Costa Chaves, de que uma entrevista seria marcada, o secretário nunca recebeu a reportagem da Folha.

Na Empresa Municipal de Transportes Urbanos (EMTU), responsável pela sinalização e conservação das ruas do município, as informações são desencontradas. O assessor de comunicação, Marcelo Luiz, diz que a EMTU tem realizado blitz educativa e sinalização na cidade. No entanto, a reportagem não encontrou em quais pontos o serviço estava sendo efetuado.

Aonde foi parar o dinheiro?

No site do Governo do Amapá - www.amapa.gov.br — está a arrecadação do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores — IPVA, que de janeiro a setembro de 2006 já arrecadou R$ 14.248.144,06. Desse total, R$ 6.676.957,87 foram repassados para a Prefeitura de Macapá, dinheiro que o contribuinte paga anualmente e que deveria ser utilizado para a manutenção e sinalização das ruas do município de Macapá. Mas onde foi parar o dinheiro? A informação na EMTU é de que a empresa não pode receber repasse de verba pública. A reportagem fez contato com a assessora de comunicação, Andréia Freitas, que disse não ter certeza se esse valor realmente tinha sido repassado, mas que entraria em contato com o secretário de Finanças da PMM e não retornou a ligação.

Enquanto o Governo do Estado e a Prefeitura de Macapá continuam se preocupando em não responder onde está sendo utilizado o dinheiro do IPVA, a cidade continua sem sinalização, com pouco policiamento nas ruas e os acidentes com mortes violentas continuam acontecendo. Só este ano foram 83 mortes no trânsito, destas 13 aconteceram na Rodovia Duque de Caxias, e famílias como a de Marco Kayke, que deixou duas filhas, e do casal Fabiani e Benedito Gama, que deixou sete filhos, vão continuar sofrendo a saudade dos que perderam suas vidas.

O que dizem os números

• Cerca de um em cada cinco vítimas fatais é um pedestre;

• 57% dos acidentes fatais ocorrem à noite, com ou sem iluminação pública, em fluxos relativamente baixos de tráfego;

• Uma parte muito significativa dos acidentes graves ocorre nos finais de semana;

• Os acidentes com feridos representam cerca de 30% do total de ocorrências;

• A análise das vítimas fatais por tipo de acidente demonstra que o atropelamento de pedestre/ciclista é o que gera maior número de óbitos (30%);

• Os atropelamentos não se destacam entre os acidentes sem vítimas, já que quase sempre o pedestre ou o ciclista atropelado sofre lesões, graves ou fatais;

• 40% de todas as vítimas fatais morrem nos finais de semana, sem levar em consideração sexta-feira à noite e a madrugada de segunda-feira. Grande parte (64%) dos atropelamentos fatais ocorre à noite e somente 23% ocorrem nos dias úteis durante a luz do dia;

• Ser atropelado equivale a cair do 45º andar de um prédio, se o veículo estiver a uma velocidade de 120km/h, a cair do 20º andar, se estiver a 80 km/h e a cair do 11º se estiver a 60km/h.
Folha do Amapá





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