sábado, 14 de abril de 2012


Nossos filhos, filhos da tecnologia?
Araciara Macedo

Eu não sei quanto a vocês, pais de adolescentes, mas comigo acontece muito. Fico desesperada quando ando com minha filha de 16 anos pelas ruas da cidade de Macapá. Já me peguei varias vezes conversando sozinha dentro de lojas e supermercados enquanto ela curte, em um volume ensurdecedor no fone de ouvido do celular, rocks guturais de bandas americanas e brasileiras.

O celular da Ana Ariel, minha linda filhinha, deveria servir para facilitar a comunicação entre ela, os amigos e nós, eu e o pai, que as vezes nos desesperamos quando não sabemos ao certo por onde ela anda. A Aninha nunca atende o celular, seu aparelho está sempre sendo usado como uma caixinha de musica que parece ter memória inacabável. É um repertorio muito vasto que ela acessa continuamente e nos deixa de fora da sua vida.

Estive, durante a semana que passou, em guerra direta com ela e, ao mesmo tempo, observando filhos adolescentes de amigos. Nossos jovens são filhos da tecnologia, conseguem ao mesmo tempo acessar facebook, twitter, mandar e receber mensagens e escutar musicas, como faz a minha Aninha. Isso tudo em uma velocidade surpreendente, como conseguem? Sinceramente não sei, mas a experiência de observar minha filha e outros adolescentes me mostrou que, nós pais, precisamos tomar uma atitude urgente.

O vicio do celular atrapalha a vida social, a vida familiar e as amizades, atrapalha também a vida escolar dos adolescentes. Sei que parece engraçado, mas o vicio do celular está sendo estudado há dois anos e até já recebeu um nome cientifico: síndrome de nomofobia, O nome é formado a partir da expressão “no mobile”, ou seja, medo de ficar sem o celular, problema ligado também à abstinência de internet.

O vicio do celular causa sintomas que variam de acordo com a intensidade da dependência, geralmente começam com uma preocupação excessiva com o aparelho: nunca deixá-lo sem bateria, ter mais de um chip, preferir carregar o aparelho nas mãos a levá-lo na bolsa e dar prioridade ao contato via celular. Nos casos mais graves, o vício provoca alteração de humor, respiração alterada, taquicardia, ansiedade e nervosismo.

Assustador não é? Principalmente quando lembramos que nossos filhos podem estar passando por isso sem que, nós pais, percebamos a gravidade do problema. A avaliação para que a síndrome seja detectada é feita no consultório do psicólogo ou psiquiatra. Ou seja, só um médico pode avaliar a gravidade. O tratamento mais comum é a terapia cognitiva comportamental (também chamada de psicoterapia cognitiva), indicada para a maioria dos transtornos psiquiátricos.

A terapia é breve e funciona como uma conversa em que o paciente é estimulado a interpretar situações sobre os acontecimentos do cotidiano que causam o medo. No decorrer das sessões, os problemas são assimilados e o comportamento é controlado.

Enquanto a medicina espera por estudos mais detalhados sobre a nomofobia, nós precisamos tomar algumas atitudes para com nossos filhotinhos. Eu, por exemplo, resolvi observar melhor a minha filha, estou dividindo com ela meu DVD, que só tocava MPB. A partir de agora a Aninha vai escutar musica na sala junto com a família.

O aparelho celular nunca mais será ligado dentro da sala de aula, para isso estou contando com a ajuda dos professores, fone de ouvido enquanto estamos juntas? Nunca mais, a partir de hoje minha filhotinha vai dividir comigo conversas intimas de mãe para filha enquanto andamos, compramos ou passeamos de carro.

Claro que isso vai me render alguns dissabores, terei que dividir com ela as musicas que gosta, então, pelo bem da minha Aninha, aprenderei a gostar de sons guturais de rock pauleira que há muitos anos não escuto.

Com certeza aprenderei muito com ela e ela aprenderá muito comigo, uma coisa é certa, vamos tirar proveito desta experiência, porque agora eu e a Ana vamos aprender a nos conhecer melhor. Em todas as nossas ações, até aquelas que temos medo, tiramos alguma coisa de bom


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