quinta-feira, 27 de setembro de 2012



Felicidade???
Araciara Macedo


Correr descalça na chuva, pular corda, brincar de esconder, beijar fazendo estalo no rosto, dançar, atirar pedras nas aguas de um lago, comer casquinho com uma bola de sorvete de coco da sorveteria Qsabor, algodão doce derretendo na língua, pipoca salgada, copo com agua gelada quando a sede é intensa.

Onde está a felicidade?

Ontem, 28 de setembro, completei 48 anos, e essa pergunta vem martelando a minha cabeça. Quando falo de felicidade não estou falando de felicidade total, aquela que vem com as paixões exacerbadas que nos fecham os olhos, nos deixam surdos e nos fazem perder os sentidos e a moral. Não, estou falando daquela felicidade calma, da felicidade que sabemos eterna.

A felicidade que vem quando se ouve um filho dizer mamãe pela primeira vez, esse é um momento que será eterno. Seu filho pode ate partir, como o meu Kayke, mas esse momento está na minha lembrança e eu nunca esquecerei, se fechar os olhos consigo trazer de volta e até escutar a voz dele novamente.

Talvez você que está lendo este texto tenha pensado que eu perdi a conexão com o primeiro paragrafo, não perdi. O primeiro paragrafo retrata momentos em que consigo banir a tristeza e ser feliz por completo, e se são momentos que retrato o que eu quero dizer pra vocês é que a felicidade é composta de pequenos momentos que devemos tomar posse e guarda-los para nunca esquecer.

Eu não esqueço a primeira vez que li um poema, ou pelo menos um arremedo de poema, era uma coisa boba que falava assim “vinha andando por um caminho e vi uma cobra, tenho fé em Deus...”, bom vamos deixar pra lá, depois deste vieram outros, bem melhores, bem mais trabalhados, mas esse em particular eu nunca esqueci. É meu, nunca foi dividido, eu fui a musa total e irrestrita e ele está guardado na minha caixinha de lembranças.

Tenho outras lembranças felizes bem guardadas na minha caixinha, lá está o momento em que a minha Ana Ariel chegou em casa, está também o momento em que o Kayke tocou a barriga da Dora, mãe biológica da Ariel, e me disse que era uma menininha. Na minha caixinha está a lembrança do nascimento do Miguel Benjamim, quando ele me foi entregue todo sujo para que eu o limpasse.

São momentos, momentos não, estações de extrema felicidade que eu preservo como uma leoa preserva seus filhotes. Minhas estações trazem em seu bojo outras lembranças felizes, lembranças de amores que chegaram e se foram, pelo meu negão, por exemplo, cachorro do Keyke, que escolheu morrer depois que ele se foi. Ou pela bela, cadela da Ariel que também se foi.

Neste exato momento em que escrevo estou extremamente triste, mas com a tristeza vem também felicidade. É um enigma, que nem eu mesma entendo, esquisito, diferente. Diferente como o poema "Amor entre espinhos, abraços e flores, amor dos caminhos,
da relva das cores. Amor abre aspas. Amor por inteiro .Amor fecha aspas. Amor verdadeiro.

Complexo de entender, mas, ao mesmo tempo fácil porque cada pessoa entende de uma maneira diferente.

Foi pra mim, me foi dedicado e eu chorei como uma louca quando li, como choro em cada bela obra que leio, porque a poesia é a essência da alma, através dela falamos a verdade sempre, não conseguimos mentir. Não conseguimos enganar. A poesia é e será sempre a essência da alma. Por isso aceito  “amo você quando estou errado, pois mesmo errado o amor é sempre certo, amo você nas horas verdes, na solidão mais triste do deserto, amo você até mesmo quando penso que não amo, amo pensar no quanto amo você, por isso acabo fazendo canções... Senhora dona Desses olhos verdes feito hortelã Te procurei nas cinzas de cada manhã Feito um poeta louco caçando um sonho, uma visão Caindo em tantas armadilhas Do coração...

Até semana que vem!!!


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