quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Onde andará Gizelle




Enquanto a água fria cai sobre seu corpo João fecha os olhos e as pequenas lembranças cruzam seus pensamentos como os disparos de uma máquina fotográfica. O som da gargalhada de Gizelle, a mão de contornos suaves, a curva perfeita do pescoço macio, o pequeno sinal marrom sob o mamilo direito. Balançando a cabeça ele tenta apagar as lembranças, com um arremedo de sorriso se formando no canto da boca, ele pensa, “não posso, não quero lembrar”.
A mão de João alcança a toalha e a maciez do tecido trás novamente Gizelle e seu sorriso, relembra a boca carnuda, o toque suave da pele, as longas pernas estiradas na cama de lençóis brancos, por um segundo escuta novamente sua voz sussurrando, “sim João, eu quero”, tenta novamente afastar da mente a lembrança que lhe persegue.
Enquanto se veste João vai repassando os compromissos da agenda do dia, reunião, um almoço com representantes de uma empresa multinacional, entrega de material, fechamento de contratos. João fecha o ultimo botão da camisa e apanha as chaves, sai do apartamento e entra apressado no carro, senta, coloca o cinto de segurança, acende um cigarro e o fantasma de Gizelle volta.
João entrega os pontos e deixa as lembranças virem à tona, relembra todos os momentos. As brincadeiras, o bom humor, o som da voz, os movimentos do corpo, a suavidade da pele, a maciez dos dedos brincando com os pelos do seu peito, os movimentos do corpo com na urgência do prazer, “vem quero você João”, parece ouvir.
“Sai da minha cabeça”, grita esmurrando o volante do carro “me deixa em paz”. Desesperado João para o carro e pega o celular, nervoso liga novamente para o numero na agenda, “sua chamada está sendo encaminhada para caixa postal”.
“Porque não liguei como prometi?”, João relembra o sorriso dela na porta do carro enquanto se despedia, “você me liga”, “ligo sim” respondeu, uma semana se passou e ele não ligou, nunca imaginou que ela falava sério quando disse para que ele nunca quebrasse uma promessa.
João ligou milhares de vezes e nunca foi atendido, desconfiava que seu numero de telefone tinha sido bloqueado, nunca mais conseguiu vê-la, perguntava por ela, mandava mensagens para as redes sociais, “por onde você anda Gizelle?”
Ao ligar o carro novamente para ir ao trabalho uma lagrima solitária desce pela face de João, em sua cabeça a certeza de que nunca mais teria novamente em seus braços o corpo macio de Gizelle.
Na chegada ao escritório uma rosa branca  e um pequeno cartão o aguardavam em cima de sua mesa, “é pra mim?”, perguntou à secretaria, “sim, uma moça alta e bem vestida deixou para o senhor, ela saiu a uns 10 minutos”. Leu o pequeno cartão com o coração aos pulos, “minha alma de poesia, com cheiro de rosas desabrochadas veio te dizer adeus”. João olhou pela janela da bela sala e a pergunta disparou em sua cabeça, “por onde andará Gizelle?”.

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